segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Serviços ambientais: o que é?

Em um país com uma economia eminentemente agrícola e agropecuária, como é o caso do Brasil, o pagamento ou compensação por serviços ambientais têm sido uma estratégia interessante e válida para promover a sustentabilidade.

Por serviços ambientais se entende o trabalho da natureza para a manutenção da vida e de seus processos. A regulamentação dos gases, a conservação da biodiversidade e a regulação das funções híbridas, por exemplo. Em outras palavras, são as condições mínimas que a natureza oferece para o desenvolvimento humano.

O problema consiste na não preservação dessas condições básicas. Por isso, governos, empresas privadas e organismos internacionais estão estudando maneiras de fomentar o cuidado com os recursos naturais, aliado ao crescimento econômico.
O PSA, que é o pagamento por serviços ambientais, surgiu dessas buscas por alternativas de desenvolvimento. O objetivo do PSA é corrigir a omissão secular quanto à preservação e viabilizar a conservação das florestas. Funciona da seguinte forma: paga-se determinada quantia a quem mantém, cuida e preserva as florestas.

Assim, o proprietário rural que preservar o ecossistema original de sua propriedade receberá uma bonificação. E quem paga essa bonificação? Essa é uma questão que afeta toda a sociedade, por isso, em tese, a conta é dividida por todos.

Entretanto, alguns incentivos podem ser indiretos, como empresas que pagam mais por produtos que venham de espaços preservados. Por exemplo, um acréscimo no valor do leite daquela propriedade que preserva as nascentes.

Pensar em sustentabilidade, agir sustentavelmente não é tarefa fácil, pois implica abrir mão de recursos financeiros imediatos em função de um bem maior, que não necessariamente gere mais lucros. Sustentabilidade, no momento, é o maior desafio para a manutenção da sociedade capitalista.

Os sete pilares da sustentabilidade

Ser sustentável implica uma maneira de viver de acordo com os pressupostos da sustentabilidade, que tem como base a preservação do meio ambiente.
A Organização das Nações Unidas, ONU, propõe quatro pilares que articulados mantêm sustentabilidade. São eles: sustentabilidade econômica, social, ambiental e cultural. A eles são acrescentadas pela ambientalista brasileira Marina Silva, a sustentabilidade ética, política e a estética. Vejamos o que cada conceito significa e o que implicam essas definições.
  • Sustentabilidade econômica: a economia não pode ficar alheia ao meio ambiente, já que é dele que ela extrai matéria prima e energia, das quais depende de maneira crucial. É imperativo, portanto, transformar os recursos naturais, bens e serviços produzidos em melhorias na qualidade de vida, que é medida pela qualidade da saúde e educação, por exemplo.
  • Sustentabilidade social: implica em equilibrar a distribuição dos discursos para que todos tenham condições dignas de viva. É dizer, consiste em uma equiparação na distribuição das posses, garantindo os direitos e as condições das amplas massas da população, diminuindo a distância entre os padrões de vida dos mais ricos e mais pobres.
  • Sustentabilidade cultural: prevê a preservação da diversidade, em sua acepção ampla. Ou seja, é o respeito à continuidade das tradições culturais e até mesmo a pluralidade das soluções particulares.
  • Sustentabilidade ambiental: utilizar os recursos de forma a evitar que se esgotem, garantindo uma vida digna para as futuras gerações. Implica a intensificação das pesquisas de tecnologias limpas e definição de regras para uma adequada proteção ambiental.
  • Sustentabilidade ética: criação de laços sociais ou aliança 
    inter-geracional, preservando os recursos naturais, econômicos, culturais para proteger a espécie.
  • Sustentabilidade política: tem como objetivo criar um espaço de convergência, onde os problemas e soluções sejam estudados em conjunto. Para que, dessa forma, sejam discutidas questões fundamentais desde o âmbito local ao global.
  • Sustentabilidade estética: relaciona-se com o planejamento arquitetônico que promove e visa a cidadania, causando menor agressão aos recursos ambientais, promovendo a inclusão, sobretudo das classes menos favorecidas. As casas projetadas para utilizar a energia solar ou capitação da água da chuva são alguns exemplos. Além disso, a sustentabilidade estética envolve a preservação de bens simbólicos, como o Pão de Açúcar ou as Cataratas do Iguaçu.
Como adiantamos, esses pilares devem (e são) articulados. É imperativo para asustentabilidade o engajamento de toda a comunidade, em todas as esferas, pois ações isoladas fornecem resultados localizados e que fatalmente não se mantêm.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Conteúdo e relevância: notícias dos famosos

É imensa a quantidade de notícias sobre os famosos sendo jogada na web todo dia. Então, como filtrar o que é, de fato, relevante?

A internet revolucionou a comunicação humana, diminuindo as distâncias. Logo, temos a impressão que tudo acontece mais rápido. Imagine um fã dos Beatles, o quanto ele teria que esperar para ver confirmada uma notícia sobre um novo disco? Hoje, fãs ao redor do mundo têm a chance de ver e compartilhar impressões quase que imediatamente e em tempo real.

É claro que essa facilidade de “espalhar” notícias acaba criando e alimentando boatos. Por isso, eu sempre que ouço ou, no caso, leio algum rumor, procuro checar as fontes, ver se é de um site confiável, se é de algum jornal, e, quase sempre, vou diretamente ao site do artista, pois nas ‘páginas oficiais’, a certeza de veracidade dos fatos é maior.

Outro problema dessa facilidade de notícias é filtrar só o conteúdo que me interessa. Por exemplo, quero ler sobre o novo filme do Woody Allen, mas não quero saber o que ele comeu no jantar. Quero saber em que time cada jogador está jogando, mas não me interesso por sua casa, ou quantas tatuagens ele tem. Consegue entender a diferença e relevância dos conteúdos?

Por outro lado, essas coisas que não me interessam podem interessar a outros fãs, e essa é a graça do “mundo virtual”. Se procurar bem se encontra de tudo, e se não encontrar, é só criar e compartilhar.

Os shows e a explosão de notícias sobre os artistas

Sempre que algum cantor internacional anuncia um show no Brasil, há um aumento considerável no número de páginas, matérias e notícias relacionadas a ele.

Todo esse falatório gera mais buchicho e mais boatos. Afinal, há fãs enlouquecidos por uma informação e qualquer notícia é maximizada e distorcida a cada “retuitada”, ou “reblogada”.

Sejamos sinceros, quem nunca procurou por noticias dos famosos? Em 2010, quando anunciaram o show do Rage Against The Machine no Festival ecológico em Itu, o SWU, começaram as especulações, muito em razão da postura da banda que flerta com o comunismo e tem um caráter agressivo em suas canções.

Outra banda que causou rebuliço quando anunciou shows no Brasil foi o Pearl Jam. Comemorando 20 anos de carreira, a banda fará várias apresentações, inclusive em Curitiba. O grupo conhecido por suas atitudes políticas e sociais está lançando um documentário sobre a trajetória, promessa de mais especulações.

Também já passaram pelo Brasil, trazendo agitação, a excêntrica Amy Winehouse e, há alguns anos, Kurt Cobain. Quanto mais “peculiar” a personalidade do artista maior será a repercussão. A dinâmica é a seguinte: ansiedade seguida de especulação, confirmação ou refutação das informações anteriores, show, especulações sobre o que aconteceu e mais especulações e assim sucessivamente.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Charge, quadrinhos e caricaturas: quais as diferenças

As charges, os quadrinhos e as caricaturas têm em comum o humor crítico. O que os diferencia é o modo como são tratados os temas.

Embora não haja uma fronteira definitiva entre os gêneros, tentaremos delimitar alguns pontos. A principal característica que une as charges, os quadrinhos e as caricaturas é o humor, que é uma maneira humana de representar e expressar situações, comumente usando distorções e exageros para demonstrar um ponto de vista.

As distorções e exageros são as principais características da caricatura. Caricaturar é deformar pontos específicos de uma situação, coisa, fato ou pessoa, mas conservando o essencial para não apagar as referências e facilitar a identificação. Geralmente em jornais, ela é usada como ilustração de uma matéria, sendo auxiliar, portanto.

Quando o fato pode ser resumido de maneira clara e inteiramente representado em uma forma gráfica temos a charge. A charge nasceu da caricatura. Um francês implicava com o governo, mas ao invés de colocar nomes ou citar fatos, ele ia ao ataque (charge em francês significa ataque) com desenhos que sintetizavam sua opinião. Ainda hoje a charge guarda agressividade, sobretudo com as situações políticas e religiosas.

Os quadrinhos talvez sejam os mais facilmente identificados, pois têm personagens e elencos fixos em uma narrativa sequencial. O tamanho do quadrinho é relativo, pode ser uma tira de três quadrinhos, uma página ou então uma revista. Nos jornais são comuns as tiras diárias mais curtas, mais parecidas com as charges.

Charges que fizeram história

Graças à sua intertextualidade e humor inerentes, as charges sempre tiveram uma presença questionadora em relação à política.

Durante os tempos ditatoriais, elas se apresentam como arma especial na luta contra a censura e as práticas autoritárias, pois o humor é, quase sempre, transgressor. Fazer piada sobre esses problemas é sempre uma maneira eficaz de se fazer pensar.

Um exemplo de chargista que usou o humor como arma foi Henfil, seus personagens Bode Orelana, Zeferino e Graúna ridicularizavam o desenvolvimento do sul maravilha e expunham a polarização do Brasil. Angeli é outro que “cutucou” os políticos, em uma charge intitulada “Lula, o metalúrgico”, na qual o artista ironiza a campanha então apelidada de “paz e amor” do ex-presidente da república.

O último presidente militar João Figueiredo se viu retratado em charge de Chico Caruso, que pintou o quadro da situação política do momento: um país assombrado pelas ligações do terrorismo de direito com o atentado à bomba no RIO Centro, em 1984.

Podemos ainda citar o recente caso da Primavera Árabe que teve como figura especial um artista brasileiro, o chargista Carlos Latuff que teve seus trabalhos reproduzidos em larga escala e empunhados como bandeiras, principalmente na Líbia e Egito.

E quem pensa que a charge é um fenômeno contemporâneo se engana. São inúmeros os desenhos encontrados ironizando reis, religiosos e mesmo um que data da revolução francesa em que Robespierre aparece se auto decapitando. Prova irrefutável de que as charges e as contestações políticas sempre andaram juntas.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Crônicas … e agudas

Caro leitor, se você já passou por este blog, deve ter percebido que gosto de ler e, principalmente, gosto de indicar leituras. Por isso, estou escrevendo esse post, para falar sobre o que li e que recomendo para que você leia também.

Sou do tipo de pessoa que lê de tudo, mas tenho preferência por gêneros mais curtos, que são em geral mais densos. Por exemplo, o poema, o conto e a crônica. Entre esses gêneros mais curtos, gosto muito de haicais que é onde o artista tem que expressar o máximo com o mínimo de palavras. Os grandes nomes brasileiros do haicai são os paranaenses Paulo Leminski e Helena Kolody, que foi a primeira mulher no Brasil a escrever haicais. Se quiser saber um pouco mais, é só dar uma “googleada”.

Contos e crônicas também me agradam muito. Contos têm aquilo de você não precisar ler mais de uma vez a mesma frase, não consigo manter minha atenção por muito tempo. O mesmo acontece com as crônicas. Gosto muito das crônicas do Rubem Braga, do Luis Fernando Veríssimo e, ultimamente, tenho acompanhado as crônicas publicadas na Gazeta do Povo, tenho gostado bastante.

O blog “Dias da Vida” também é interessante, crítica com inteligência sem ser “intelectualóide” demais, que, aliás, é um defeito que cronista não deve ter, já que as crônicas devem se aproximar do cotidiano, daquelas conversas de esquina. E, por isso, recomendo o blog e suas crônicas agudas.